Histórias de Taxistas:

                                                      O Pastor e o Taxista:

Retornei na semana passada da capital da Bahia, Salvador. Estava com meu amigo Paulo Mizoguchi e, ao aterrissar na primeira capital do Brasil, fomos lembrados de que não chegávamos a um lugar qualquer. Na saudação da comissária de bordo da Companhia Aérea Azul, ela fez questão de lembrar: “Sorria, você está na Bahia!”. 
Lá, em uma visita curta – chegamos à tarde e saímos na manhã seguinte – vivemos duas experiências completamente diferentes.
Na chegada e na saída da cidade, fomos impactados por um pastor e por um taxista! Ao chegarmos, nos recebeu o pastor Pereira: um homem apaixonado pela vida e pelas pessoas. Um típico pastor brasileiro, convertido do candomblé. Homem simples, sorriso fácil, boa gente! Ele iniciou uma igreja do zero há 11 anos, localizada em um dos bairros mais pobres e violentos da cidade. Sua igreja literalmente fica no fim da linha do ônibus Boa Vista, no bairro de São Caetano. Hoje a igreja possui o maior espaço da comunidade e, para Pereira, não tem tempo ruim e sim muito trabalho, dedicação e amor. Durante uma hora, no trajeto do aeroporto até o hotel no bairro do Rio Vermelho, mesmo com todo o trânsito, ele não reclamou de nada, sempre positivo e cheio de expectativas para o culto da noite!
De fato, à noite, vimos “in loco” tudo o que ele havia falado: igreja lotada, mais de 50 pastores amigos presentes, devido ao seu convite e influência. Até da capital vizinha, Aracajú, veio um grupo de pastores. Pereira, um anônimo pastor para nós do Sudeste do Brasil: um homem positivo, otimista e cheio de fé. Minha vida e a de meu amigo Paulo foram tremendamente impactadas de forma positiva pela vida desse homem de Deus. Quando os preconceituosos, de forma generalizada, falam mal de “todos” os pastores midiáticos brasileiros, deveriam conhecer o pastor Pereira – ele é conhecido pela comunidade não por causa de sua prosperidade, e sim pela sua generosidade! 
No dia seguinte, o sol apareceu cedo para abençoar a capital do trio elétrico. Agora era a vez de conhecermos o segundo personagem da viagem: o taxista! Nossa carona para o aeroporto não chegou ao hotel onde estávamos e, para não perder o vôo, fomos até um taxista à porta do hotel. Logo puxei uma conversa, pois sempre gosto de conversar com taxistas. Sempre estão envolvidos com pessoas diferentes; podem ter sempre uma percepção interessante sobre a vida, posturas e atitudes. Naturalmente, gosto de aproveitar o tempo para tentar semear princípios e valores do Reino na vida dessas pessoas. Por vezes, me deparo com pessoas interessantes. Vou chamá-lo apenas de taxista. 
Durante 40 minutos, embora prestativo e atento à função da profissão, ele se esqueceu de sorrir, mesmo estando na Bahia! Ele se declarou espírita e falou que precisa reencarnar muitas vezes, apesar dele não saber muita coisa da sua doutrina de vida, ele disse que viemos de outros mundos e de várias reencarnações. 
Durante todo o tempo da viagem ele só falou mal de tudo e de todos. Mal da cidade, dos condomínios, dos prédios, da rede Alphaville de condomínios, dos políticos, dos pastores, da presidenta, do povo, do prefeito, do futebol e deixou claro que não torce para ninguém. Ele estava de tanque completamente vazio, estava na escassez e não dava nenhuma margem para aprender, para a fé e para a esperança. Embora não conseguisse explicar direito a razão da sua fé, não estava nada interessado em qualquer possibilidade de uma nova proposta. Palavras duras, de baixo calão... Fiquei pensando: não eram ainda 7h da manhã e aquele taxista já estava azedo, amargo, negativo e como ele iria terminar aquele dia? Como ele vai terminar a vida? 
Certamente, o taxista está perdendo a sua vida; ele deve ter muitas histórias e experiências negativas. Como não se encontrou com Jesus, não encontrou o amor verdadeiro. Então, ele, o taxista, não pode dar o que não tem. Me senti triste por não conseguir mudar um pouco o seu pensamento sobre a vida. Espero que ele um dia possa sorrir como o pastor Pereira! 
Tudo na vida é uma questão de escolha. Como você conduz as pessoas que se aproximam de você? Entenda que todos os seus “caronas” são influenciados diretamente. Como você vai influenciar será a questão!  Sua atitude diante das circunstâncias vai determinar se você vai impactar de forma construtiva ou destrutiva quem embarcar no carro da sua vida! A questão é: você vai viver sua única vida com a atitude de abundância, como a do pastor, ou de negatividade como o taxista? Sua vida aqui neste mundo é única, temporária e passageira. Escolha a maneira sábia de viver. Você pode não estar na Bahia, mas sorria! Seu sorriso e atitude podem mudar para sempre a vida de outra pessoa e você ainda será mais feliz.

                                                                                                          Pense bem nisto!
                                                                Pr. Carlito Paes

 

TAXISTA DE CURITIBA

A Última Viagem de Táxi

Depoimento de um taxista de Curitiba

“Houve um tempo em que eu ganhava a vida como motorista de táxi. Os passageiros embarcavam totalmente anônimos. E, às vezes, me contavam episódios de suas vidas, suas alegrias e suas tristezas.

Encontrei pessoas que me surpreenderam. Mas, NENHUMA como aquela da noite de 25 para 26 de julho do último ano em que trabalhei na praça.

Havia recebido já tarde da noite uma chamada vinda de um pequeno prédio de tijolinhos, em uma rua tranqüila, próximo do Largo da Ordem no São Francisco, centro histórico de Curitiba, capital do Paraná. Eu estava terminando o meu turno e estava querendo descansar. Mas resolvi atender a última chamada que deveria ser breve.

Quando cheguei ouvia cachorros latindo longe. O prédio estava escuro, com exceção de uma única lâmpada acesa numa janela do térreo. Nestas circunstâncias, outros teriam buzinado duas ou três vezes, esperariam só um pouco e, então, iriam embora.

Mas, eu sabia que muitas pessoas dependiam de táxis como único meio de transporte a tal hora. A não ser, portanto, que a situação fosse claramente perigosa, eu sempre esperava.
“Este passageiro pode ser alguém que   necessita de ajuda”, pensei.

Assim,  fui até a porta e bati.

“Um minutinho”, respondeu uma voz fraca e idosa.

Ouvi alguma coisa ser arrastada pelo chão… Depois de uma pausa longa,  a porta abriu-se. Vi-me então diante de uma senhora bem idosa pequenina e de frágil aparência.

Usava um vestido estampado e um chapéu bizarro daqueles usados pelas senhoras idosas nos filmes da década de 40! E se equilibrava numa bengala, enquanto segurava com dificuldade uma pequena mala. Dava para ver que a mobília estava toda coberta com lençóis.  Não havia relógios, roupas ou adornos sobre os móveis. Num canto jazia uma caixa aberta com fotografias e vidros. A velha senhora, esboçando então um tímido sorriso de quem havia já perdido todos os dentes, pediu-me:

“O senhor poderia me ajudar com  a mala?”

Eu peguei a mala e ajudei-a caminhar lentamente até o carro. E enquanto se acomodava ela ficou me agradecendo.

-”Não é nada, apenas procuro tratar meus passageiros do jeito que gostaria que tratassem minha velha mãe”.

-” Oh!, você é um bom rapaz!”

Quando embarcamos, deu-me um endereço e pediu:

-”O senhor poderia ir pelo centro da cidade?”

-” Este não é o trajeto mais curto”, alertei-a prontamente.

-” Eu não me importo. Não estou com pressa. Meu destino é o último, o asilo dos velhos”.

Surpreso, eu olhei pelo retrovisor. Os olhos da velhinha brilhavam marejados.

-” Eu não tenho mais família e o médico me disse que tenho muito pouco tempo de vida”.

Disfarçadamente desliguei o taxímetro e perguntei:

-”Qual o caminho que a senhora deseja que eu tome?”

Nas horas seguintes nós dirigimos por toda a cidade. Ela mostrou-me o edifício na Barão do Cerro Azul em que havia, em certa ocasião, trabalhado como ascensorista. Nós passamos pelas cercanias do Centro Cívico, em que ela e o esposo tinham vivido como recém-casados. E também por uma Igreja no Alto da Glória, aonde  iam sempre e onde também comemoraram Bodas de Ouro.

Ela pediu-me que passasse em frente a uma loja na Dr. Muricy com o José Loureiro, que ela dizia ser um clube alemão, que tinha um grande salão de dança que ela freqüentara quando mocinha.

De vez em quando, pedia-me para dirigir vagarosamente em frente a um edifício ou esquina.  Era quando ficava então com os olhos fixos na escuridão, sem dizer nada. E olhava, olhava e suspirava… E assim rodamos a noite inteirinha. Passamos por parques, praças, restaurantes, tudo o que vinha vindo na imaginação e na lembrança da doce senhorinha.

Quando os primeiros raios do sol surgiram no horizonte, ela disse de repente:
 “Estou cansada e pronta. Vamos agora!”

Seguimos, então, em silêncio, para o endereço que ela havia me dado. Chegamos a uma casa comum no bairro do Parolin, uma pequena casa de repouso.

Duas atendentes caminharam até o taxi, assim que paramos.  Eram amáveis e atentas e logo se acercaram da velha senhora, a quem pareciam esperar.   Eu abri o porta-malas do carro e levei a pequena valise (tipo de mala) até a porta. A senhora, já sentada em uma cadeira de rodas, perguntou-me então pelo custo da corrida.

-” Quanto lhe devo?”, ela perguntou, pegando a bolsa.

-”Nada!”, eu disse. -

“Você tem que ganhar a vida, meu jovem”

-” Há outros passageiros”, respondi.

- Mas ela insistiu, disse que não precisava mais de dinheiro, e colou 2.000 reais no meu bolso da camisa. Eu não quis aceitar, mas ela foi incisiva ao extremo, e quase sem pensar, curvei-me e dei-lhe um abraço. Ela me envolveu comovidamente e devolveu-me com um beijo afetuoso e repleto da mais pura e genuína gratidão e me disse:

-”Você deu a mim, bons momentos de alegria, como não tinha há tanto tempo. Visitamos não só lugares, mas momentos que eu vivi. Só Deus é quem sabe o quanto você fez por mim. Obrigada, MEU AMIGO! Mil vezes obrigada.”

Apertei sua mão pela última vez e caminhei até o carro que deixei na Rua Brigadeiro Franco, onde ficava o asilo. Olhei para trás e vi uma moça que fechava o portão. Ainda pude ver  outros velhinhos repousando em cadeiras. Era como o som do término de uma vida…

Sai daquele lugar com meu coração batendo de uma forma diferente. Dirigi olhando o centro da cidade amanhecendo ao fundo e não conseguia parar de chorar, e pensar como vivemos e ao que damos valor, se daqui não levamos nada. Naquele dia não peguei mais passageiros.

Fiquei sem rumo, parei na Av. Pres. Kennedy, perdido nos meus pensamentos. Mal podia falar.

Dois dias depois, tomei coragem e voltei no asilo para ver como estava a minha mais nova amiga e quem sabe passear com ela de novo. Disseram-me, então, que na noite anterior, seu coração parou durante a noite, e ela adormecera para sempre, em paz e feliz. E fiquei a pensar, se a velhinha tivesse pegado um taxi com um motorista mal-educado e raivoso… Ou, então, algum que estivesse ansioso para terminar seu turno.

Ó, Deus! E se eu houvesse recusado a corrida? Ou tivesse buzinado uma vez e ido embora? Ao relembrar, creio que eu jamais tenha feito algo mais importante na minha vida até então.

Em geral nos condicionamos a pensar que nossas vidas são os nossos objetivos e o nosso futuro. Mas a vida nos leva a vivenciar grandes momentos.

Todavia, os GRANDES MOMENTOS freqüentemente nos pegam desprevenidos e ficam guardados em recantos da nossa alma e que quase todo mundo considera sem importância e, quando nos damos conta, estes GRANDES MOMENTOS passam e nos esquecemos deles. “Não geram mudanças.”

 

TEMA PARA MEDITAR: 

 

Neste mundo estamos apenas de passagem. Existem pessoas que passam por nós à espera de uma palavra de carinho, de perdão, de amor e de consolo. Existem vidas que estão esperando apenas serem ouvidas. Invista seu tempo para ouvir aqueles que Deus coloca diante de você. Aproveite as oportunidades, pois nada acontece por acaso. Deus está no controle de sua vida e de todos os movimentos do universo.

 

TEXTOS:

 

“Mais bem-aventurada coisa é dar que receber.” 
(A Palavra de Deus no livro de Atos 20.35b)

“Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas descobri que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos.” (A Palavra de Deus no livro de Eclesiastes de Salomão, 9.11)

“Ora, muito me regozijei no Senhor por finalmente reviver a vossa lembrança de mim; pois já vos tínheis lembrado, mas não tínheis tido oportunidade.”

(A Palavra de Deus na carta do Apostolo Paulo aos Filipenses 4.10)

“Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu…” (A Palavra de Deus em Eclesiastes 3.1)

“A alma generosa prosperará e aquele que atende também será atendido.” 
(A Palavra de Deus em Provérbios 11.25)

“Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu tornará, indo-se como veio; e nada tomará do seu trabalho, que possa levar na sua mão.” 
 (A Palavra de Deus em Eclesiastes 5:15) (Nada levaremos deste mundo)